Cientistas identificam onda gravitacional gigantesca na atmosfera de Vênus

BBC

Fenômeno gravitacional em forma de arco com 10 mil km de extensão é considerado gigante e foi observado pela nave espacial japonesa Akatsuki

A onda gravitacional gigante observada em Vênus tem 10 mil km – 23 vezes a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro

Foto: Akihiro Ikeshita

Uma gigante onda na atmosfera de Vênus pode ser a maior de seu tipo no sistema solar.

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Astrônomos dizem acreditar que a formação, observada de uma nave espacial japonesa, teria sido gerada de modo “muito semelhante” às ondulações formadas quando a água flui sobre rochas em um leito de riacho.

Nesse caso, a onda é formada pelo fluxo da baixa atmosfera sobre as montanhas de Vênus.

As descobertas foram publicadas na revista científica “Nature Geoscience journal”.

Logo depois de entrar na órbita de Vênus, em 2015, a nave espacial Akatsuki registrou um fenômeno em forma de arco na atmosfera superior do planeta por vários dias.

Curiosamente, a estrutura brilhante – que se estende por 10 mil km (23 vezes a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo) – permaneceu fixa no topo das nuvens de Vênus.

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O fenômeno surpreende porque na espessa atmosfera superior de Vênus, as nuvens se movimentam a 360 km/h.

Ou seja, se locomovem muito mais rápido do que a lenta rotação do planeta abaixo delas, onde 1 dia dura mais do que o tempo que o planeta leva para orbitar em torno do sol.

Makoto Taguchi, da Universidade de Tóquio, Atsushi Yamazaki, da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa), e outros cientistas mostraram que a zona luminosa ficou parada sobre uma região montanhosa na superfície do planeta, conhecida como Aphrodite Terra.

Eles também descobriram que ela era mais quente do que as partes circundantes da atmosfera.

‘Fenômeno especial’

Segundo os cientistas, o fenômeno é o resultado de uma onda gravitacional gerada na medida em que a atmosfera mais baixa atravessa as montanhas e se espalha para cima através da atmosfera espessa de Vênus.

As ondas gravitacionais ocorrem quando um fluido – como um líquido, gás ou plasma – é deslocado de uma posição de equilíbrio.

“Se um córrego flui sobre uma rocha, as ondas gravitacionais se propagam para cima através da água. Na superfície do córrego, seria possível perceber alterações em sua altura”, explica à BBC Colin Wilson, cientista planetário da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que não participou da pesquisa.

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“Mas o que acontece em Vênus é diferente, porque estamos vendo o fenômeno acontecer em meio a temperaturas máximas nas nuvens. As partículas atmosféricas estão se movimentando para cima e para baixo, tal como as partículas da água”, acrescenta.

O estudo, de acordo com os pesquisadores, “mostra uma evidência direta da existência de ondas gravitacionais estacionárias (fixas), e também indica que tais ondas gravitacionais estacionárias podem ter uma escala muito maior – talvez a maior já observada no sistema solar”.

“O que torna esse fenômeno especial é que ele se estende de polo a polo em Vênus”, destaca Colin.

“Acontece que não há uma formação como essa em Júpiter porque, com a rotação do planeta é muito mais rápida, sua atmosfera é dividida em cinturões. A rotação lenta de Vênus permite, por outro lado, uma formação desse tipo”, acrescenta o especialista.

Ainda não se sabe se as ondas gravitacionais geradas pela topografia montanhosa de Vênus podem se movimentar para as partes superiores das nuvens do planeta.

Mas as observações indicam que a dinâmica atmosférica pode ser mais complexa do que os cientistas inicialmente previram.

Wilson participou da missão Venus Express, da Agência Espacial Europeia, que terminou em dezembro de 2014. Perto do fim da expedição, a nave espacial detectou sinais da existência de atividade vulcânica no planeta vizinho da Terra.

“Nossa equipe só viu isso em uma localidade de Vênus. O fato de Akatsuki estar lá por alguns anos e equipada com o tipo correto de câmeras vai permitir potencialmente detectar mais desses eventos vulcânicos ativos”, concluiu Wilson.

Via: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2017-01-17/venus.html

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